Arquivo do mês: julho 2012

A Voz do Trabalhador (1)

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O anarquista não é o sanguinário que a burguesia pinta com as mais negras cores. Nós o que queremos é a felicidade geral.

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Arquivado em Década 1920, Jornalismo

Antonio Fernandes Mendes (3)

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Antonio Mendes em meio às pedras do Parque de São Bartolomeu, em Salvador

Apresento hoje um trecho de cordel inédito de Antonio Fernandes Mendes onde ele fala dos Camponeses da cidade cearense de Quixeramobim, e do Sindicato Independente fundado por ele e outros companheiros seus em 1963. Este texto foi escrito em 1999.

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 Cordel das Lutas Camponesas: Uma Homenagem ao Trabalhador Rural de Quixeramobim.

Quero fazer uma homenagem em versos
Aos meus companheiros das lutas sindicais
Em especial aos companheiros de Quixeramobim
Que há quarenta e cinco anos atrás
Assentados na solidariedade mútua
Entre companheiros leais.

Em assembleias livres e independentes
Fundamos o sindicato dos trabalhadores rurais
Antonio Femandes Mendes e Joaquim Rodrigues de Souza
Foram os seus criadores principais
Juntamente com Gilberto Barbosa e Antonio Gonçalves
Na fazenda Nova Olinda dentro dos Carracais

Sofremos dura repressão da ditadura
Saímos clandestinamente a educar De posse do método Paulo Freire
Foi fácil aos trabalhadores conscientizar
Na experiência das ligas camponesas
Abriram novos caminhos para nos facilitar

As ligas camponesas do Ceará
Nasceram em Maranguape e Redenção Acarape, pacatuba e aracoiaba
Estas cidades libertaram os negros da escravidão
Por isto escolhemos estas cidades
Para um processo de conscientização

Havia muito patrulhamento ideológico
Principalmente da esquerda autoritária
Que em vergonhosa sordidez
Procurava impedir de forma deletéria
O trabalho livre e independente
Daqueles que não chafurdavam na latrina da miséria

Nesses nossos encontros educativos
Lembro meu amigo Daniel Pereira
Caio Cirino de Paula, Mauro Pamplona de Freitas
João Araújo, Júlio Montenegro Bastos e Zé Ferreira
Ingrid de origem alemã, meu amigo filósofo
Filho de pacajus de família brasileira

José Mendes Fernandes, tio Joaquim Fernandes Mendes
Paulo e Pompeu e Pedro do Aracati
Arriscavam suas vidas numa educação constante
Naqueles sertões adustos, ouvindo o canto do juriti
Em plena seca nas frentes de trabalho
Distribuíamos clandestinamente versos enfrentando o Aracati

Não posso deixar de registrar os camponeses simples
Que se associaram sem tergiversar ao sindicato
Houve pânico sim, por conta da repressão
Mas eles sabiam, que eram vítimas de fato
Explorados pelos coronéis latifundiários
Juntos com toda a classe do patronato

Morreram todos coitados analfabetos
Por conta da exploração desalmada
Sem condições mínimas de educar um filho
Nas nossas pesquisas com o método camarada
Do genial Paulo Freire
Percorremos tabuleiros e chapadas

Conscientizando e educando
Aquela gente simples e sofredora
Que não tinham uma roupa ou um sapato
Pela vil exploração da classe trabalhadora
Trabalhando naquele sol escaldante
Preso naquela infernal gangorra

Quantos destes velhos camponeses
De rosto firme e cobriado
Encontrei sentados num tosco toco
Apenas com uma sunga velha surrada
Aguardando sua companheira lavar
Sua última roupa para ir ao roçado

Assim com sua firmeza forte
Nos abraçava com um grande aperto de mão
Aqueles heróis anônimos criando riquezas
Para engrandecer o poderoso patrão
Vivendo numa dura miséria
Sujeitos ao sunguelo e à suspensão do vale do barracão.

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Arquivado em Década 1990

Antonio Fernandes Mendes (2)

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ALIMENTAR A TERRA ANTES QUE ELA MORRA – Antônio Fernandes Mendes

A estupidez humana está levando o minúsculo e poluído planeta terra ao estancamento total. Os apologistas da eficiência e da “ciência” acharão ridículo o que digo. Entretanto, prefiro viver “ridiculamente” mas de acordo com a natureza, da qual sou uma pequena partícula, neste gigantesco sistema. Os mesmos defensores de um progresso selvagem e anti-humano dirão aos alienados que as suas conveniências estão acima destas ovelhas negras que defendem a natureza.

Afinal de contas, infelizmente, não se proliferam homens com equilíbrio e visão de longo alcance. Infelizmente.

Vamos, então, aos fatos de nossa observação no que se refere ao empobrecimento da Terra pela depredação do homem. O jornal “O Estado de São Paulo”, na sua edição de 23 de fevereiro de 1980, em editorial, deu uma distorcida visão deste grave problema, quando de sua crítica ao documento da igreja elaborado em Itaici, referente às lavouras de subsistência. O mesmo jornal defendeu de modo furibundo a monocultura em grande escala, para atender às exportações e ao abastecimento das grandes cidades, como se fosse natural o viver nestas megalópoles.

Não vou explicar o fenômeno destes monstrengos, mas os sábios dos séculos anteriores darão melhores explicações nos seus tratados, onde nunca esqueceram de abrir os olhos da humanidade para os perigos das grandes concentrações humanas. Houve planos e projetos para quê as cidades fossem diversificadas pelos campos e nunca chegassem a ter mais de 10 mil habitantes e com toda a estrutura capaz de oferecer a essas pessoas uma vida saudável. O mundo antigo e bíblico já havia dado soberbas lições dos perigos das grandes cidades. Só para lembrar às memórias fracas, vejam o que ocorreu com Sodoma e Gomorra e, chegando até o Império Romano, que espalhou guerra entre todos os povos livres e nômades do mundo, com suas intrigas e corrupções, mostrando à humanidade que as grandes centralizações nada de equilíbrio e harmonia traziam para a espécie humana.

Mas os homens continuaram, com suas conveniências políticas, a justificar os erros apontados por sábios e pensadores e chegamos aos dias atuais com macabras estatísticas dessas Gomorras modernas, que aos pouco vão se dando as mãos, num elo de Estados cada vez mais opressores para, num futuro bem próximo, submeter toda a espécie humana aos ditames de um só Estado universal, perverso e monstruoso, paralisando todas as funções físicas e biológicas da raça humana. Pois bem, o jornal “O Estado de São Paulo” posicionou-se frontalmente contra a lavoura de subsistência, chamando-a de infantil.

Lembramos ao citado jornal que lavoura de subsistência não significa uma rudimentar e preguiçosa lavoura do tempo da pedra lascada. Pelo contrário, fortalece a fixação do homem à terra, trazendo por outro lado, uma benesse para a terra pela diversificação dos plantios, melhorando o solo, dando espaço aos micros organismos, assim como os animais inferiores, tais como minhocas, enquitreias, nematóides, ácaros, colembolos e outros antropóides, que entrarão com um processo de fertilização do solo. Cada inseto tem seu depredador natural que equilibra a sua não proliferação em grande escala. Entretanto, se o homem destrói o seu habitat natural, ele, por força óbvia, procurará arranjar espaço para continuar seu ciclo e às vezes esses ciclos proliferados vão cair na lavoura simplista do homem moderno, alheio à natureza que o rodeia.

Tolhido no seu afã de só produzir para ganhos egoístas, o homem, passa a usar veneno contra estes insetos que trabalham para ele e para todo o reino animal.

A terra está coberta por uma camada de mais ou menos vinte centímetros de miríades de bactérias e desses pequeninos animais, que transformarão a terra em solo fértil. Mas, para isso, a natureza gastou milhões de anos de processo biológico.

Transcrito do Jornal O Inimigo do Rei – nº 10 –  Março e Abril de 1980

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Arquivado em Década 1980

Antonio Fernandes Mendes (1)

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Posto hoje aqui entrevista com Antonio Fernandes Mendes.

Nela o anarquista cearense fala sobre os tempos de Sindicato Independente em Quixeramobim, diz como saiu de lá, perseguido pela Ditadura Militar, imposta a partir de 1964, e conta um pouco de seu auto-exílio pelo Brasil.

Também explica como chegou a Salvador, e como veio a conhecer alguns anarquistas baianos no começo dos anos 1970, logo depois participando da publicação do jornal O Inimigo do Rei, já em 1977.

Terça-Feira trarei uma série de textos de Antonio Mendes, publicados no jornal O Inimigo do Rei.

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Arquivado em Década 1970, Década 1980, Entrevista

Campanha do Voto Nulo em 1988 (4)

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Nesta última postagem sobre a Campanha do Voto Nulo em 1988 trago fotos de uma das pichações feitas pelos anarquistas naquele ano.

A pichação, autorizada pelo proprietário da casa, foi feita na Rua Melo Morais Filho, no bairro da Fazenda Grande do Retiro, em Salvador.

A “arte” foi pensada em conjunto e “desenhada” pelo artista plástico Carlos Rodrigues. Mas todo grupo participou do trabalho de “pintura”.

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Outra atividade constante dos anarquistas baianos na década de 80 foi a panfletagem. Para a eleição de 1988 o pessoal do Núcleo Pró-COB de Salvador preparou um pequeno mosquitinho para propagandear a ideia do Voto Nulo, ao mesmo tempo que promoviam o nome da Confederação Operária Brasileira que os anarquistas brasileiros desejavam resgatar, das lutas do começo do Século XX.

Sábado que vem estou de volta. Até lá.

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Arquivado em Ações, Década 1980