Antonio Fernandes Mendes (2)

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ALIMENTAR A TERRA ANTES QUE ELA MORRA – Antônio Fernandes Mendes

A estupidez humana está levando o minúsculo e poluído planeta terra ao estancamento total. Os apologistas da eficiência e da “ciência” acharão ridículo o que digo. Entretanto, prefiro viver “ridiculamente” mas de acordo com a natureza, da qual sou uma pequena partícula, neste gigantesco sistema. Os mesmos defensores de um progresso selvagem e anti-humano dirão aos alienados que as suas conveniências estão acima destas ovelhas negras que defendem a natureza.

Afinal de contas, infelizmente, não se proliferam homens com equilíbrio e visão de longo alcance. Infelizmente.

Vamos, então, aos fatos de nossa observação no que se refere ao empobrecimento da Terra pela depredação do homem. O jornal “O Estado de São Paulo”, na sua edição de 23 de fevereiro de 1980, em editorial, deu uma distorcida visão deste grave problema, quando de sua crítica ao documento da igreja elaborado em Itaici, referente às lavouras de subsistência. O mesmo jornal defendeu de modo furibundo a monocultura em grande escala, para atender às exportações e ao abastecimento das grandes cidades, como se fosse natural o viver nestas megalópoles.

Não vou explicar o fenômeno destes monstrengos, mas os sábios dos séculos anteriores darão melhores explicações nos seus tratados, onde nunca esqueceram de abrir os olhos da humanidade para os perigos das grandes concentrações humanas. Houve planos e projetos para quê as cidades fossem diversificadas pelos campos e nunca chegassem a ter mais de 10 mil habitantes e com toda a estrutura capaz de oferecer a essas pessoas uma vida saudável. O mundo antigo e bíblico já havia dado soberbas lições dos perigos das grandes cidades. Só para lembrar às memórias fracas, vejam o que ocorreu com Sodoma e Gomorra e, chegando até o Império Romano, que espalhou guerra entre todos os povos livres e nômades do mundo, com suas intrigas e corrupções, mostrando à humanidade que as grandes centralizações nada de equilíbrio e harmonia traziam para a espécie humana.

Mas os homens continuaram, com suas conveniências políticas, a justificar os erros apontados por sábios e pensadores e chegamos aos dias atuais com macabras estatísticas dessas Gomorras modernas, que aos pouco vão se dando as mãos, num elo de Estados cada vez mais opressores para, num futuro bem próximo, submeter toda a espécie humana aos ditames de um só Estado universal, perverso e monstruoso, paralisando todas as funções físicas e biológicas da raça humana. Pois bem, o jornal “O Estado de São Paulo” posicionou-se frontalmente contra a lavoura de subsistência, chamando-a de infantil.

Lembramos ao citado jornal que lavoura de subsistência não significa uma rudimentar e preguiçosa lavoura do tempo da pedra lascada. Pelo contrário, fortalece a fixação do homem à terra, trazendo por outro lado, uma benesse para a terra pela diversificação dos plantios, melhorando o solo, dando espaço aos micros organismos, assim como os animais inferiores, tais como minhocas, enquitreias, nematóides, ácaros, colembolos e outros antropóides, que entrarão com um processo de fertilização do solo. Cada inseto tem seu depredador natural que equilibra a sua não proliferação em grande escala. Entretanto, se o homem destrói o seu habitat natural, ele, por força óbvia, procurará arranjar espaço para continuar seu ciclo e às vezes esses ciclos proliferados vão cair na lavoura simplista do homem moderno, alheio à natureza que o rodeia.

Tolhido no seu afã de só produzir para ganhos egoístas, o homem, passa a usar veneno contra estes insetos que trabalham para ele e para todo o reino animal.

A terra está coberta por uma camada de mais ou menos vinte centímetros de miríades de bactérias e desses pequeninos animais, que transformarão a terra em solo fértil. Mas, para isso, a natureza gastou milhões de anos de processo biológico.

Transcrito do Jornal O Inimigo do Rei – nº 10 –  Março e Abril de 1980

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Arquivado em Década 1980

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