Arquivo do mês: agosto 2012

Federação Anarquista Metropolitana de Salvador (FAMES)

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A FAMES teve vida curta. Não passou de 1993. Discussões acaloradas dos participantes da Federação durante as reuniões impediram que a Federação pudesse juntar mais gente, com um mesmo objetivo. O entendimento de como seriam as intervenções da Federação foi um dos grandes motes da sua perda de importância para a maioria dos membros que foram deixando a mesma, até que deixou de existir sem muitas ações, e nem mesmo boletins.

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Arquivado em Década 1990, Jornalismo, Organizações

O Inimigo do Rei (4)

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Documentário produzido por Carlos Baqueiro e Eliene Nunes sobre o jornal O Inimigo do Rei. 22 minutos.

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O Inimigo do Rei (3)

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Na Contra-Capa do número 20 (Julho/Agosto de 1987) do jornal O Inimigo do Rei, seus colaboradores citam várias coisas com as quais eles concordam, tanto para lutar (Greve Expropriadora), quanto para se deliciar (Sorvete de Mangaba).

Segundo as más línguas, esta página foi idealizada numa manhã ensolarada de Domingo, em uma das acaloradas reuniões que o grupo da Bahia fazia semanalmente, antes da grata cerveja, tomada aos pés do Edifício Themis, na Praça da Sé, no centro de Salvador.

Na mesma edição há a preocupação, sempre encontrada nas outras edições, de informar o que é o jornal, como funciona, e o que há de diferente entre ele e outros jornais clássicos ou mesmo alternativos.

Ai vai o texto, na íntegra:

O Inimigo do Rei é uma publicação de caráter autogestionário. É uma experiência nova no Brasil, um jornal sem censura de nenhum tipo. É feito e administrado pelos coletivos pró-federação anarquista, sendo propriedade deles.

Numa época que toda a imprensa alternativa está em crise ou desapareceu, quando só existem jornais de dois partidos comunistas com pequena circulação popular, ficando cada vez mais como jornal de circulação interna desses partidos, editamos “O Inimigo do Rei”, que chega ao número 20.

A única coisa que permite a sua manutenção, exclusiva pela venda, é a autogestão, a solidariedade dos coletivos nas vendas e na sua distribuição, é o jornal ser de fato de todos aqueles que participam desses coletivos. Ele só é possível de ser editado por ser feito inteiramente de acordo com as propostas anarquistas. Se fôssemos um bando de intelectuais não sairíamos dos primeiros números como tantas publicações que conhecemos.

COMO É UM JORNAL FEITO NESSES MOLDES, SÓ ESCREVEM PARA ELE AQUELES QUE FAZEM PARTE DOS COLETIVOS ANARQUISTAS. PARA NÓS, É FUNDAMENTAL QUE O TRABALHO INTELECTUAL SEJA RESULTADO DO TRABALHO DA MILITÂNCIA DIÁRIA NAS REUNIÕES, PALESTRAS, ASSEMBLÉIAS E ORGANIZAÇÃO DO MOVIMENTO ANARQUISTA HOJE NO BRASIL.

Intelectuais brasileiros, escritores de todos os tipos, hoje muito “anarquistas” para nosso gosto, por favor não nos mandem artigos porque a Bahia não tem autoridade para publicar nada. Um estudante secundarista que faça parte de um nosso coletivo, em qualquer cidade do Brasil, tem mais poder que nós para dizer o que vai sair se o seu coletivo possuí uma parte do espaço do jornal, naquele número. Não gastem o selo do correio. Não temos dinheiro para lhes devolver os originais. Não estamos interessados em “nível”. Achamos que isso é uma censura disfarçada e inventada pelos intelectuais burgueses para perseguirem-se uns aos outros. Nosso jornal reflete o pensamento do militante diário, daqueles que carrega panfletos nas sacolas.

Achamos que cada um pode refletir em palavras o que vive, com o quê se preocupa, muito mais do que gente que só quer “brilhar” e se auto-promover. Até agora, o “nível” tem sido mantido indiretamente. É a ironia da vida. Quem gosta de nivelar os outros fica sempre abaixo do nível. Nós não queremos nivelar. Queremos expressar. Mas expressar todos. Todos os que trabalham pelo movimento. Não aqueles que querem expressar suas individualidades burguesas para se sentir admirados em meios intelectuais.

Evidentemente, isso não nos interessa.

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Arquivado em Década 1980, Jornalismo

O Inimigo do Rei (2)

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A imagem acima, retirada do Nº03 do jornal O Inimigo do Rei, de outubro de 1978, lembrava os 10 anos da Primavera de Praga.

Através de uma matéria e da imagem os anarquistas do jornal se posicionavam a respeito do que consideravam um dos males do marxismo: a pretensa Ditadura do Proletariado.

Vamos ao texto. Nele poderemos entender o que foi a Primavera de Praga e muito da crítica anarquista aos marxistas:

Na primavera de 1968 os tchecos experimentam o fim da censura à imprensa, o direito de viagens ao exterior, a livre discussão dos, até então, dogmas partidários.

Os operários discutiam nas fábricas o problema da autogestão das fábricas e em julho de 68 já se contavam 800 mil operários que participavam ativamente do controle dos seus locais de trabalho.

Mas a onda de liberdade começaria a incomodar a União Soviética porque os tchecos demonstravam interesse em transformar radicalmente sua sociedade, dinamizá-la e diminuir o papel centralizador do Partido. Além do mais, no campo econômico os tchecos estavam firmemente decididos a deixar de fazerem o papel de fornecedores de capitais para outros países da órbita soviética, e dividirem entre si mesmos os sucessos do seu desenvolvimento. É o que a União Soviética não aceitaria: controle operário da sociedade; socialismo com liberdade; fuga de sua tutela político-econômica.

Na noite de 20 de agosto de 1968 as tropas russas, secundadas pelas da Alemanha Oriental, Polônia, Hungria e Bulgária (a Romênia, apesar de membro do pacto de Varsóvia, se recusou a enviar tropas), iniciavam a ocupação do País, concretizada no dia 21. Nas medidas de “normalização” da vida tcheca, nos meses que se seguiram à Invasão, se notou um dos principais alvos da fúria do urso soviético: os conselhos operários eleitos durante a primavera foram, um a um, desmobilizados.

A União Soviética não admite que a classe operária assuma diretamente o Governo de nenhum país, isto frustraria o seu esquema ideológico de “estágio de ditadura do proletariado”. Os trabalhadores russos ainda “precisam” de seus guias salvadores, dos seus revolucionários profissionais, ou seja, de uma burocracia que se entulha de privilégios à custa do proletariado.

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O Inimigo do Rei (1)

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Ninguém melhor para falar do jornal O Inimigo do Rei do que Ricardo Liper.

Segundo Antonio Fernandes Mendes, além dele mesmo, participaram da primeira reunião para criação do grupo que vai dar origem ao jornal O Inimigo do Rei, Ricardo Liper e o professor Paulo Alves (que desconhecemos paradeiro atual). As reuniões, em meados dos anos 70, aconteciam no Instituto Universo, na Rua 21 de Abril, perto do Relógio de São Pedro, no Centro de Salvador.

Na entrevista mostrada a seguir Ricardo Liper responde, com a ironia que lhe persegue desde que o conheço, algumas questões sobre o jornal O Inimigo do Rei: Como surge o jornal, como ele é organizado, como ele é criticado inclusive por anarquistas ?

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