O Inimigo do Rei (2)

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A imagem acima, retirada do Nº03 do jornal O Inimigo do Rei, de outubro de 1978, lembrava os 10 anos da Primavera de Praga.

Através de uma matéria e da imagem os anarquistas do jornal se posicionavam a respeito do que consideravam um dos males do marxismo: a pretensa Ditadura do Proletariado.

Vamos ao texto. Nele poderemos entender o que foi a Primavera de Praga e muito da crítica anarquista aos marxistas:

Na primavera de 1968 os tchecos experimentam o fim da censura à imprensa, o direito de viagens ao exterior, a livre discussão dos, até então, dogmas partidários.

Os operários discutiam nas fábricas o problema da autogestão das fábricas e em julho de 68 já se contavam 800 mil operários que participavam ativamente do controle dos seus locais de trabalho.

Mas a onda de liberdade começaria a incomodar a União Soviética porque os tchecos demonstravam interesse em transformar radicalmente sua sociedade, dinamizá-la e diminuir o papel centralizador do Partido. Além do mais, no campo econômico os tchecos estavam firmemente decididos a deixar de fazerem o papel de fornecedores de capitais para outros países da órbita soviética, e dividirem entre si mesmos os sucessos do seu desenvolvimento. É o que a União Soviética não aceitaria: controle operário da sociedade; socialismo com liberdade; fuga de sua tutela político-econômica.

Na noite de 20 de agosto de 1968 as tropas russas, secundadas pelas da Alemanha Oriental, Polônia, Hungria e Bulgária (a Romênia, apesar de membro do pacto de Varsóvia, se recusou a enviar tropas), iniciavam a ocupação do País, concretizada no dia 21. Nas medidas de “normalização” da vida tcheca, nos meses que se seguiram à Invasão, se notou um dos principais alvos da fúria do urso soviético: os conselhos operários eleitos durante a primavera foram, um a um, desmobilizados.

A União Soviética não admite que a classe operária assuma diretamente o Governo de nenhum país, isto frustraria o seu esquema ideológico de “estágio de ditadura do proletariado”. Os trabalhadores russos ainda “precisam” de seus guias salvadores, dos seus revolucionários profissionais, ou seja, de uma burocracia que se entulha de privilégios à custa do proletariado.

1 comentário

Arquivado em Década 1970, Jornalismo

Uma resposta para “O Inimigo do Rei (2)

  1. Paulo Henrique

    Um dos maiores problemas do socialismo “real” da extinta URSS foi justamente essa burocracia estatal gerada pelo Partido – começou já ruim… aproveitando parte da velha burocracia russa do Estado czarista e foi piorando com os processos de expurgo e a ‘grande guerra patriótica’ onde aqueles bolcheviques que ainda tinham algum possível valor em si foram para o matadouro junto com milhões de simples – deixando atrás das linhas os mais espertos e interesseiros. Essa corja que deteriorava qualquer chance de sucesso dos planos de desenvolvimento – que trucidava qualquer sombra de crítica construtiva e encontrava bodes expiatórios para as consequências de seus roubos, desvios e adulterações… Essa mesma corja que prosperou nos anos da “era” Brejnev… por fim… revelaram todo o seu caráter mafioso. Uma grande parte transformando-se nos “empresários russos” que amealharam fortuna sobre os despojos do sonho coletivo que eles mesmo diretamente ajudaram a tornar pesadelo… e a outra parte permaneceu como parte dos ‘políticos’ com seus discursos nacionalistas e quejandos… Ah! Sim… e aqueles do Partido? Bem, uma súcia de autoritários – incapazes de enxergar que o “sistema” deles permitia criar tais monstros… não posso chamá-los de “inocentes úteis” mas de “megatérios mentecaptos” incapazes de construir o sonho humano de liberdade mas que sob o argumento da crença no Comitê Central, no ‘partido’… apoiaram e auxiliaram – as vezes até “heroicamente” dentro do seu próprio padrão de conduta… que o esforço da revolução russa – regado e manchado com o sangue de tantos trabalhadores – desde aquele derramado pelos anarquistas na primeira hora, que aquele esforço fosse perdido! Deixaram que essa experiência – e tudo que ela posteriormente condicionou – da tentativa de “tomar de assalto aos céus” – uma continuidade do primeiro impulso do proletariado ainda na Comuna de Paris… que essa experiência singular se distorcesse e desnaturasse assim como tudo em que os bolcheviques depois colocaram as mãos – antes mesmo de 1945 – já no apoio ao ciclo de revoluções frustradas nos anos 1920 e pior ainda quando impuseram a sua versão da revolução com o Exército Vermelho ao derrotarem o nazi-fascismo! Essa categoria de rinocerontes – seres estúpidos como os bovinos mas capazes das maiores atrocidades uma vez irritados – adiou por mais de cem anos a chance de construirmos a sociedade sem classes e libertária.

    Está em nossas mãos – buscar os caminhos que tornem novamente possível esse sonho – aparentemente o número de sonhadores pode voltar a crescer! As condições estão dadas…

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