Arquivo do mês: outubro 2012

Instituto Sócio-Ambiental de Valéria – ISVA (1)

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O texto a seguir foi transcrito de postagem de Agosto de 2008, do Blog do ISVA (Instituto Sócio-Ambiental de Valéria). No sábado traremos mais histórias dessa organização fundada em 2003 por anarquistas de Salvador e moradores do bairro de Valéria.

ASSIM O ISVA COMEÇOU

Numa área localizada no fim de linha de Valéria, bairro da periferia de Salvador, Antônio Fernandes Mendes, natural de Quixeramobim – Ceará, reside desde 1971, promovendo cursos de horta, pomar e jardim, permacultura, educação ambiental, práticas alternativas de medicina natural, projetos de alfabetização ecológica e produção de mudas.

Praticante da agroecologia implantou a primeira horta ecológica em Salvador (Horta Natureza), abastecendo os principais restaurantes naturais da cidade. Educador dos trabalhadores rurais do Ceará na década de 1960, cuja linha de trabalho baseava-se no método de Paulo Freire, continua ainda, desenvolvendo esse modelo em seus cursos junto ao movimento dos trabalhadores sem terra (MST) na área ambiental. Pertence ao Clã (genealogia) de Antonio Vicente Mendes Maciel (Antônio Conselheiro) fundador da cidade de Canudos.

Autodidata e estudioso de fitoterapia e terapias alternativas, realizou vários trabalhos como educador nessa área. Realizou também diversos encontros sobre educação ambiental na luta pela preservação do Parque São Bartolomeu em escolas públicas, comunitárias, particulares e universidades, tendo sido escolhido, inclusive, como local de estudos e pesquisas de professores e estudantes universitários (UNEB, UCSAL, UFBA).

Através de seu trabalho forneceu mudas de plantas para reconstituição de solo, árvores da Mata Atlântica, para o horto florestal, Petrobrás (cidade de Araçás), Escola Agrotécnica de Catu e plantas sagradas para terreiros de candomblé. Foi fundador e presidente da CUT rural na Bahia, presidente do sindicato de trabalhadores rurais de Candeias e São Francisco do Conde, presidente da AR15 (Administração Regional Pirajá/Valéria do município de Salvador) e presidente do conselho de saúde pública de Valéria.

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Viajando pro Rio e Sumpaulo

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A procura de mais histórias do anarquismo baiano…

Inté a volta… 🙂

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Fazenda Grande Comunidade Libertária

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Vários pequenos grupos de anarquistas surgiram na década de 1990. Alguns com vida curta. Um desses foi o Fazenda Grande Comunidade Libertária. Nasciam ou em bairros, ou a partir de afinidades. Mas todos com um objetivo comum: Fazer propaganda do anarquismo e viver em autogestão. No panfleto acima usa-se o Voto Nulo como trampolim para deixar claro as ideias libertárias.

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Núcleo Pró COB-AIT (4)

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O boletim Ação Direta foi criado em 1989 com a intenção de representar as ideias dos membros do Núcleo Pró COB/AIT em Salvador. O nome escolhido em homenagem, primeiro ao grande princípio anarquista da Ação Direta, dos que lutam contra a democracia parlamentar como único modo de participação popular na política do país. Segundo, em homenagem ao jornal anarquista que frequentava as mesas dos libertários que viveram no Brasil nas décadas de 40 e 50.

Boa parte de suas edições abordava temas relacionados à categoria petroleira. Como no caso da edição acima de Março de 1991, quando aquela categoria fez uma greve de 24 dias. Leia um trecho do boletim.

Em mais de 20 dias de greve, o trabalhador da Petrobrás tem mostrado que o trabalhador enquanto classe possui força suficiente para transformar a sociedade. Isto, inclusive, vem sendo admitido pelo próprio capitalismo, através de seus meios de comunicação. No primeiro momento o trabalhador decide entrar em greve por motivos unicamente economicistas e não pensando que pode mudar a sociedade, econômica  politica, ou culturalmente. Mas neste ponto da greve o trabalhador começa a ter a possibilidade de descobrir que o resultado de sua união, de sua participação coesa na luta direta contra os vícios do capital nada mais são que fontes de resistência e desgaste ao sistema capitalista.

O Núcleo Pró COB/AIT de Salvador finaliza suas ações em 1992.

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Núcleo Pró COB-AIT (3)

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O pequeno boletim Ação Direta foi criado pelos anarquistas soteropolitanos que participavam do Núcleo Pró COB-AIT em 1989.

Ali eles expunham suas ideias e as lançavam preferencialmente nas Assembleias de trabalhadores petroleiros, ou em reuniões de comerciários. Categorias onde orbitavam com suas ideias. Seja falando da falta de seriedade das eleições para Presidente, governador ou Prefeito, seja demonstrando o quanto os sindicatos ainda estavam com suas estruturas arraigadas a uma ideia fascista, decorrente de suas regras de existência se basearem na Carta Del Lavoro.

Todas essas críticas, obviamente, não eram bem vindas pela esquerda que naquele momento já havia visto a notícia da Queda do Muro de Berlim, mas mesmo assim ainda continuava a acreditar nas possibilidades de um Comunismo Marxista. E foi esta crença que fez um dos marxistas que ainda rondavam o STIEP (Sindicato dos Trabalhadores na Indústria de Exploração de Petróleo) incitar a um grupo que se encontrava em Assembléia a agir com violência contra os anarquistas “reacionários” que ali se encontravam distribuindo um dos boletins Ação Direta abordando as prisões políticas em Cuba, de opositores a ditadura de Fidel Castro. Os anarquistas só não foram agredidos pela moderação de outros membros do sindicato, que contornaram a situação.  Mas tiveram que se retirar do local sob o olhar raivoso de meia dúzia de militantes marxistas.

Segue texto transcrito do jornal digitalizado acima como exemplo das ideias discutidas em momento anterior a uma Greve puxada pela CUT (Central Única dos Trabalhadores) em junho de 1990, no governo de Fernando Collor, que logo nos primeiros meses já demonstrava como arrocharia os salários dos trabalhadores.

Mas a greve só serve para pedir aumento de grana e estabilidade de emprego ?

Nós, anarquistas, acreditamos que não !

A greve ajuda a descobrir de que lado estão as pessoas. A greve é instrutiva para o trabalhador, pois com ela o mesmo vai descobrindo que sem sua presença, seja na fábrica, na escola, no hospital, etc, não há funcionamento, não há produção. Descobre, consequentemente que alguém ou alguma classe está iludindo a ele, todos os dias do ano, através dos meios de comunicação, das igrejas, das escolas, da “politica eleitoral”, incentivando a sua resignação em favor de um corpo maior (propriedade de uma minoria) que é o país. Iludem o trabalhador sobre sua força de mudança. Mas a mudança em prol desta maioria só pode ser conseguida por ela própria, havendo solidariedade entre os companheiros de trabalho, os amigos no bairro, etc.

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