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Revista Barbárie (III)

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Segue hoje uma entrevista feita em 2007 com Hilda Maria Braga.

Hilda participou do início da construção do Jornal O Inimigo do Rei, em 1977, e também da Revista Barbárie, em 1979.

Assistam e comentem se possível.

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Revista Barbárie (II)

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Já é carnaval e o “povo” está nas ruas… quem sabe desta vez aprende na boa que a praça é dele e o céu do Condor.

Prá quem tá em casa descansando da noite de festa, ou tá mesmo de bobeira, pois odeia a festa da carne, nada melhor do que se deliciar com o primeiro texto, de Apresentação, da primeira edição da Revista Barbárie, publicada no longínquo ano de 1979 (ano em que Pink Floyd lançava o álbum The Wall – que nada tem a ver com Carnaval), desenhando o que desejavam os 15 jovens que assinaram a primeira página da Revista.

Divirtam-se:

Vivemos numa era de violência institucionalizada; do massacre indiscriminado de grupos, populações inteiras e de indivíduos. O meio é a violência em nome do progresso e da civilização. Desse modo, vemos as populações indígenas sendo sistematicamente ex-pulsas de suas terras, preparadas para ‘emancipação” e integração na sociedade brasileira e transformando-se em mercadorias — objetos do jogo e do julgo do mercado — enfim, sujeitos a todo tipo de exploração, seja privada ou estatal.

Assim sendo, assistimos ao assustador desmatamento da floresta Amazônica para o lucro e interesses particulares com a conivência do Estado, levando a destruição uma das maiores reservas naturais do mundo, pondo em risco o equilíbrio ecológico de toda a América do Sul.

Hoje em dia outro dos graves problemas que atravessamos é o da poluição das águas dos rios, represas e mares que conduzirá a nível internacional no futuro, a uma crise mundial.

O crescimento da “marginalidade” que assombra aos “donos do poder” e o seu combate para exterminá-la na forma as mais desumanas através da polícia e outras instituições autoritárias (presídios, campos de concentração), transformam os indivíduos em “feras” ao invés dos “belos” propósitos do Estado em “reeducá-los”.

A BARBÁRIE, nesse primeiro número, gostaria de tratar o mais profundamente possível a todos esses problemas apresenta-dos, fora outros, ainda não sugeridos aqui. Mas para isso seriam necessários centenas ou milhares de páginas algo difícil, dado as condições financeiras. Sendo assim, assumimos o compromisso de realizarmos essa tarefa, na continuação desse nosso trabalho. Entretanto, não esqueceremos de uma parte cultural, onde a poesia, o desenho, o conto, etc.., terão a mesma importância e o destaque que qualquer outro assunto a ser tratado por nós.

Ao lado disso, gostaríamos de destacar a presença de movimentos de reação a toda essa forma institucionalizada de terrorismo, além de propormos o debate em torno de propostas libertarias alternativas e essa situação.

Em oposição à “barbárie” destruidora do mundo atual, contrapomos outra, libertária e criadora, que nascerá dos escombros dessa primeira. Ao invés do trabalho escravizado e rotineiro, propomos o “direito à preguiça”, o trabalho livre e associativo, autogerido. Ao controle de nossos corpos pelos poderes (pais, educadores, médicos, etc) sugerimos o direito de dispor de nossos corpos e dele retirarmos todos os prazeres. Em oposição à civilização moderna, burocrática e hierarquizada, propomos a “barbárie” criadora e libertária.

Coletivo Barbárie

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Revista Barbárie (I)

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Por Eduardo Nunes

A revista Barbárie, publicação anarquista de finais dos anos 1970, editou entre 1979 e 1982 apenas 5 números. Em 1979, sai o primeiro número, com a participação de 15 pessoas, a maioria de Salvador, mas com colaboradores do Rio de Janeiro, constituiu-se como um coletivo, formado por estudantes universitários, principalmente, provenientes da Faculdade de Filosofia da UFBA dos cursos de Ciências Sociais, Psicologia, Filosofia e Letras. Neste primeiro número, publicou artigos sobre a Autogestão entre os índios, uma entrevista com Noam Chomsky sobre a socieade anarquista, a imprensa operária no Brasil entre outros temas. O segundo número ainda publicado em 1979, apresenta temas sobre o anarcosindicalismo na Espanha, um artigo do professor de São Paulo, Luiz Alfredo Galvão faz uma crítica ao marxismo doutrinário e uma crítica a cultura, além de um texto de Castoriadis sobre a Educação Sexual em URSS.
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O número 3 editado em 1980, aborda a crise da CNT no período pós-franquismo, a revolta dos Búzios e um artigo de Marcos do Rio sobre autogestão. O penúltimo número (1981), foi dedicado ao tema Anarquismo no Brasil e no mundo, com um texto inédito de Foucault quando esteve em Salvador fazendo uma palestra na faculdade de filosofia, além de um texto de Edgar Rodrigues, uma entrevista com os sindicalistas Antonio Mendes (atual diretor do ISVA) e José Mendes do sindicato de trabalhadores de Quixeramobim (Ceará).
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O quinto e último número da Barbárie (1982) reuniu textos de Foucault (parte final), Burroughs e Debord, assim como um artigo sobre a revolta estudantil na UFBA onde é narrada a experiência de um dos integrantes do coletivo nas lutas da residência universitária e a expulsão dos estudantes da residência na madrugada pela polícia federal.
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O coletivo Barbárie, na época, além de atuar no meio universitário estendeu suas ações para a luta nos bairros, principalmente, o bairro de Valéria e para a luta sindical, principalmente, no sindicato de trabalhadores rurais de Candeias e São Francisco do Conde.
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O Inimigo do Rei (4)

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Documentário produzido por Carlos Baqueiro e Eliene Nunes sobre o jornal O Inimigo do Rei. 22 minutos.

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O Inimigo do Rei (2)

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A imagem acima, retirada do Nº03 do jornal O Inimigo do Rei, de outubro de 1978, lembrava os 10 anos da Primavera de Praga.

Através de uma matéria e da imagem os anarquistas do jornal se posicionavam a respeito do que consideravam um dos males do marxismo: a pretensa Ditadura do Proletariado.

Vamos ao texto. Nele poderemos entender o que foi a Primavera de Praga e muito da crítica anarquista aos marxistas:

Na primavera de 1968 os tchecos experimentam o fim da censura à imprensa, o direito de viagens ao exterior, a livre discussão dos, até então, dogmas partidários.

Os operários discutiam nas fábricas o problema da autogestão das fábricas e em julho de 68 já se contavam 800 mil operários que participavam ativamente do controle dos seus locais de trabalho.

Mas a onda de liberdade começaria a incomodar a União Soviética porque os tchecos demonstravam interesse em transformar radicalmente sua sociedade, dinamizá-la e diminuir o papel centralizador do Partido. Além do mais, no campo econômico os tchecos estavam firmemente decididos a deixar de fazerem o papel de fornecedores de capitais para outros países da órbita soviética, e dividirem entre si mesmos os sucessos do seu desenvolvimento. É o que a União Soviética não aceitaria: controle operário da sociedade; socialismo com liberdade; fuga de sua tutela político-econômica.

Na noite de 20 de agosto de 1968 as tropas russas, secundadas pelas da Alemanha Oriental, Polônia, Hungria e Bulgária (a Romênia, apesar de membro do pacto de Varsóvia, se recusou a enviar tropas), iniciavam a ocupação do País, concretizada no dia 21. Nas medidas de “normalização” da vida tcheca, nos meses que se seguiram à Invasão, se notou um dos principais alvos da fúria do urso soviético: os conselhos operários eleitos durante a primavera foram, um a um, desmobilizados.

A União Soviética não admite que a classe operária assuma diretamente o Governo de nenhum país, isto frustraria o seu esquema ideológico de “estágio de ditadura do proletariado”. Os trabalhadores russos ainda “precisam” de seus guias salvadores, dos seus revolucionários profissionais, ou seja, de uma burocracia que se entulha de privilégios à custa do proletariado.

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