Arquivo da categoria: Jornalismo

Movimento Libertário de Pau da Lima (I)

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Em 1994 nascia o Movimento Libertário de Pau da Lima. Seus militantes são gente simples, estudantes ou trabalhadores, de um bairro periférico de Salvador.

Em setembro daquele ano já lançavam suas palavras para a população do bairro através do boletim Mancha Negra.

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Movimento Anarco Punk (II)

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Informação Alternativa_02_1996

O segundo boletim Informação Alternativa do MAP continua sua propaganda sobre o anarquismo, além das críticas contra o sistema capitalista.

Além disso traz um ótimo texto com pequeno histórico do anarquismo em Salvador desde O Inimigo do Rei até a criação do MAP.

Segue texto encontrado no verso daquele boletim, fazendo pequeno resumo da história do Movimento Punk em Salvador até 1996.

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Mais Seis Anos de Organização e Luta

Com o final do jornal “Inimigo do Rei” e o fechamento do CDPA (Centro de Documentação e Pesquisa Anarquista) em 1989 o anarquismo em Salvador ficou órfão de grupos que levantassem sua bandeira de forma militante e revolucionária. Mas, ao mesmo tempo sentia-se no ar um clima favorável à criação de novos grupos. Em 1989 surgiu a FARPA, que seria o pioneiro dos vários grupos de bairro que apareceriam depois. Porém o estopim de tudo que aconteceu foi a passeata “Caminhada pela Liberdade” em 06.01.1990, onde participaram cerca de 40 pessoas de vários bairros de Salvador, e dela resolveu-se criar o Movimento Punk Libertário, que fez sua primeira reunião semanal em 14.06.1990, dando início a uma história de luta, vontade, altos e baixos.

Naquela época tudo ao nosso redor fazia lembrar dos lugares de onde viemos, do nosso dia a dia estimulante para nos agarrarmos a luta com unhas e dentes, olhando um nos olhos do outro com a certeza do que queríamos e consciência do papel importante que tínhamos a cumprir.

Sem lengalenga, partimos para a ação direta com manifestações, panfletagem, concentrações, Campanhas, palestra (em faculdades, escolas, associações de moradores), seminários, debates, boletins e acampamentos, tudo tão intenso que tornou-se comum a presença Punk nas ruas de Salvador.

Todos esses trabalhos começaram a dar resultado de 1992 para 1993, com a multiplicação dos grupos para FARPA, MOV.PUNK LIBERTÁRIO, EXPLORADOS, ANARQUIA JÁ, MOV.PUNK DE BROTAS, MARS (Mov.Anti-Resistência da Sociedade), FAZENDA GRANDE COMUNIDADE LIBERTÁRIA, MOVIMENTO RAUL SEIXISTA, MOV.LIBERTÁRIO DE PAU DA LIMA, MOV.PUNK DE SÃO CRISTOVÃO, COMUNIDADE LIBERTÁRIA 11 DE NOVEMBRO, MOV.ANARCO-ESTUDANTIL.

Quase todos estes grupos uniram-se na FAMES (Federação Anarquista Metropolitana de Salvador) que deu ao movimento uma nova dinâmica, poque conseguiu unificar vários grupos e conduzir a luta com maior participação.

A essa altura o Movimento Punk Libertário se encontrava com cerca de duzentos militantes e uma frequência de 80 pessoas por reunião, resultando na tradicional passeata de 7 de setembro de 1991. Quando quase conseguimos estragar a festa de “Independência do Brasil”.

Esse crescimento extraordinário nos pegou de surpresa e completamente despreparados para organizar um movimento tão numeroso. Então os problemas começaram a surgir porque éramos muito ingênuos e inexperientes com luta social para compreender que os maiores inimigos estavam perto de nós, em nosso meio, em nossas entranhas, no ego, na intolerância, no fascismo, na brutalidade, na falta de iniciativa, na nossa incapacidade de cortar o cordão umbilical e a gangrena contaminada pelo germe.

Em 1994 a maioria dos grupos já tinham acabado, mas o Movimento Punk Libertário continuou firme, porém com o número de militantes reduzido. Para afirmar nossos princípios mudamos o nome para o MAP (Movimento Anarco Punk) e elaboramos um boletim de orientação, que provocou uma divisão e a criação do CARP (Coletivo de Ação e Resistência Punk). Em 1994 também foi criado o primeiro grupo Anarco-feminista, o ALMA (Associação Livre de Mulheres Anarquistas). Com pouca duração, mas que marcou o fim da passividade feminina no Movimento. Outro grupo anarco-feminista foi o CIA (Coletivo Inimigas da Autoridade), criado em 1996. Atualmente estão ativos em Salvador o Movimento Anarco Punk, o Mov. Libertário de Pau da Lima, a Associação em Prol do Pensamento Libertário e o Coletivo Subverta.

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Movimento Anarco Punk (I)

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Os anarco punk começam a aparecer no Brasil no final dos anos 80.

Em Salvador vão tomar força no começo dos anos 1990.

Em 1996 eles criam o MAP (Movimento Anarco Punk) para se distinguir do restante do movimento punk, devido a muitos debates sobre que ações poderiam tomar separadamente.

Segue o primeiro boletim do MAP, Informação Alternativa.

Informação Alternativa_01_Jun-1996

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Núcleo Pró COB-AIT (4)

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O boletim Ação Direta foi criado em 1989 com a intenção de representar as ideias dos membros do Núcleo Pró COB/AIT em Salvador. O nome escolhido em homenagem, primeiro ao grande princípio anarquista da Ação Direta, dos que lutam contra a democracia parlamentar como único modo de participação popular na política do país. Segundo, em homenagem ao jornal anarquista que frequentava as mesas dos libertários que viveram no Brasil nas décadas de 40 e 50.

Boa parte de suas edições abordava temas relacionados à categoria petroleira. Como no caso da edição acima de Março de 1991, quando aquela categoria fez uma greve de 24 dias. Leia um trecho do boletim.

Em mais de 20 dias de greve, o trabalhador da Petrobrás tem mostrado que o trabalhador enquanto classe possui força suficiente para transformar a sociedade. Isto, inclusive, vem sendo admitido pelo próprio capitalismo, através de seus meios de comunicação. No primeiro momento o trabalhador decide entrar em greve por motivos unicamente economicistas e não pensando que pode mudar a sociedade, econômica  politica, ou culturalmente. Mas neste ponto da greve o trabalhador começa a ter a possibilidade de descobrir que o resultado de sua união, de sua participação coesa na luta direta contra os vícios do capital nada mais são que fontes de resistência e desgaste ao sistema capitalista.

O Núcleo Pró COB/AIT de Salvador finaliza suas ações em 1992.

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Núcleo Pró COB-AIT (3)

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O pequeno boletim Ação Direta foi criado pelos anarquistas soteropolitanos que participavam do Núcleo Pró COB-AIT em 1989.

Ali eles expunham suas ideias e as lançavam preferencialmente nas Assembleias de trabalhadores petroleiros, ou em reuniões de comerciários. Categorias onde orbitavam com suas ideias. Seja falando da falta de seriedade das eleições para Presidente, governador ou Prefeito, seja demonstrando o quanto os sindicatos ainda estavam com suas estruturas arraigadas a uma ideia fascista, decorrente de suas regras de existência se basearem na Carta Del Lavoro.

Todas essas críticas, obviamente, não eram bem vindas pela esquerda que naquele momento já havia visto a notícia da Queda do Muro de Berlim, mas mesmo assim ainda continuava a acreditar nas possibilidades de um Comunismo Marxista. E foi esta crença que fez um dos marxistas que ainda rondavam o STIEP (Sindicato dos Trabalhadores na Indústria de Exploração de Petróleo) incitar a um grupo que se encontrava em Assembléia a agir com violência contra os anarquistas “reacionários” que ali se encontravam distribuindo um dos boletins Ação Direta abordando as prisões políticas em Cuba, de opositores a ditadura de Fidel Castro. Os anarquistas só não foram agredidos pela moderação de outros membros do sindicato, que contornaram a situação.  Mas tiveram que se retirar do local sob o olhar raivoso de meia dúzia de militantes marxistas.

Segue texto transcrito do jornal digitalizado acima como exemplo das ideias discutidas em momento anterior a uma Greve puxada pela CUT (Central Única dos Trabalhadores) em junho de 1990, no governo de Fernando Collor, que logo nos primeiros meses já demonstrava como arrocharia os salários dos trabalhadores.

Mas a greve só serve para pedir aumento de grana e estabilidade de emprego ?

Nós, anarquistas, acreditamos que não !

A greve ajuda a descobrir de que lado estão as pessoas. A greve é instrutiva para o trabalhador, pois com ela o mesmo vai descobrindo que sem sua presença, seja na fábrica, na escola, no hospital, etc, não há funcionamento, não há produção. Descobre, consequentemente que alguém ou alguma classe está iludindo a ele, todos os dias do ano, através dos meios de comunicação, das igrejas, das escolas, da “politica eleitoral”, incentivando a sua resignação em favor de um corpo maior (propriedade de uma minoria) que é o país. Iludem o trabalhador sobre sua força de mudança. Mas a mudança em prol desta maioria só pode ser conseguida por ela própria, havendo solidariedade entre os companheiros de trabalho, os amigos no bairro, etc.

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