Revista Barbárie (I)

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Barbárie_Num_1_Capa

Por Eduardo Nunes

A revista Barbárie, publicação anarquista de finais dos anos 1970, editou entre 1979 e 1982 apenas 5 números. Em 1979, sai o primeiro número, com a participação de 15 pessoas, a maioria de Salvador, mas com colaboradores do Rio de Janeiro, constituiu-se como um coletivo, formado por estudantes universitários, principalmente, provenientes da Faculdade de Filosofia da UFBA dos cursos de Ciências Sociais, Psicologia, Filosofia e Letras. Neste primeiro número, publicou artigos sobre a Autogestão entre os índios, uma entrevista com Noam Chomsky sobre a socieade anarquista, a imprensa operária no Brasil entre outros temas. O segundo número ainda publicado em 1979, apresenta temas sobre o anarcosindicalismo na Espanha, um artigo do professor de São Paulo, Luiz Alfredo Galvão faz uma crítica ao marxismo doutrinário e uma crítica a cultura, além de um texto de Castoriadis sobre a Educação Sexual em URSS.
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O número 3 editado em 1980, aborda a crise da CNT no período pós-franquismo, a revolta dos Búzios e um artigo de Marcos do Rio sobre autogestão. O penúltimo número (1981), foi dedicado ao tema Anarquismo no Brasil e no mundo, com um texto inédito de Foucault quando esteve em Salvador fazendo uma palestra na faculdade de filosofia, além de um texto de Edgar Rodrigues, uma entrevista com os sindicalistas Antonio Mendes (atual diretor do ISVA) e José Mendes do sindicato de trabalhadores de Quixeramobim (Ceará).
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O quinto e último número da Barbárie (1982) reuniu textos de Foucault (parte final), Burroughs e Debord, assim como um artigo sobre a revolta estudantil na UFBA onde é narrada a experiência de um dos integrantes do coletivo nas lutas da residência universitária e a expulsão dos estudantes da residência na madrugada pela polícia federal.
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O coletivo Barbárie, na época, além de atuar no meio universitário estendeu suas ações para a luta nos bairros, principalmente, o bairro de Valéria e para a luta sindical, principalmente, no sindicato de trabalhadores rurais de Candeias e São Francisco do Conde.
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Movimento Libertário de Pau da Lima (II)

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Mancha Negra_07_Nov.1996

O texto que segue é parte de um artigo maior que criei durante a graduação em jornalismo. No texto eu falava sobre o Jornal alternativo O Inimigo do Rei.

Mas as ideias postas ali servem também para boa parte da história da imprensa anarquista, incluindo a imprensa das organizações libertárias dos anos pós-ditadura, como, por exemplo, o Mancha Negra, digitalizado acima.

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Mas estamos hoje, a 30 anos de distância do início da publicação do jornal, e em um mundo complicado de se entender. E de sobreviver. A sociedade parece continuar a serviço de uma minoria, mas agora sem a necessidade de uma ditadura militar. E é esta minoria que detêm hoje a matéria-prima fundamental à existência dentro desta sociedade: a informação. Mesmo dentro da Internet, um campo ilusoriamente democrático, os grandes portais abocanham a maior parte da audiência, enquanto o status de pobreza destitui boa parte da população do seu uso.

Como aconteceu com a televisão, progressivamente, o capitalismo se encarrega de excluir ou marginalizar os espaços que contrariem as normas comerciais. Através de portais, banners, ou sistemas de busca que direcionam as preferências. Essa é uma previsão que não pode ser descartada… A existência de sociedades democráticas não estará assegurada a partir do nascimento de nenhum meio, mas sim com o surgimento de conquistas coletivas e na distribuição igualitária dos conteúdos informacionais.(1)

É pensando assim, e tentando retirar da minoria parte de seu poder, conseguido através da informação e do saber, que poderemos vislumbrar um mundo sem tantas diferenças econômicas.

Uma das possibilidades que temos para concretizar esta meta é através do reviver das histórias, normalmente esquecidas, de homens e mulheres que lutaram contra qualquer tipo de autoritarismo.

Daniel James revela sua preocupação em preservar esse tipo de memória social “dos oprimidos”. Até como forma de impedir uma perda coletiva de memória e tradição em uma conjuntura de reestruturação econômica e política tão perversa. E como referência a isto nos fala de um importante movimento de bases populares na Argentina, ocorrido em 1969:

… no ano passado na Argentina, um sindicalista disse-me que a maioria dos trabalhadores na sua empresa já não tinha a mais vaga idéia sobre o que o Cordobazo , tinha realmente sido. O Cordobazo havia se tornado um nome, uma forma vazia de conteúdo. A necessidade de fazer frente a essa sorte de amnésia parece evidente.(2)

Os autores de Os Baianos que Rugem, livro que aborda a vida de três outros nanicos existentes na Bahia na década de 70, confirmam essa visão, pois constataram “a profunda desinformação a respeito do fenômeno (imprensa alternativa) por parte das novas gerações”.(3)

Além do mais estamos vivendo hoje um tempo de certezas (quase) absolutas. Ou melhor, um tempo em que se aparentam mais certezas do que dúvidas. Onde, após o fim da União Soviética, até mesmo o fim da história já foi estabelecido, pelo filósofo americano Francis Fukuyama, ideólogo do neoliberalismo, para quem tínhamos chegado “ao ponto final da evolução ideológica e à universalização da democracia liberal ocidental como forma final de governo“. É o tempo de algo sombrio ao qual já se nomeou de Pensamento Único. O diretor do jornal Le Monde Diplomatic, Ignacio Ramonet, menos apocalíptico do que realista, aponta o que este tipo de situação traz consigo:

Nas democracias atuais, cada vez mais cidadãos livres sentem-se atolados, lambuzados por um tipo de doutrina viscosa que, imperceptivelmente, envolve todo raciocínio rebelde, inibi-o, desorganiza-o, paralisa-o e termina por asfixiá-lo. Essa doutrina constitui o “pensamento único”, única autorizada por um invisível e onipresente controle de opinião.(4)

Mostrando que uma visão crítica do mundo não serve de nada se nos leva a um beco sem saída, o próprio Ramonet participando do 5º Fórum Social Mundial, realizado em Porto Alegre, em 2005, afirmou, em entrevista a João Alexandre Peschanski, que:

Tudo está indicando que outro tipo de comunicação é possível, que responda mais às necessidades da população do que aos interesses das grandes empresas. Neste caso, poderia pensar-se em um meio de coletar toda essa informação que é produzida e disseminá-la de modo mais efetivo. Quando cada um trabalha por si, somos muitos fracos, é preciso que todos trabalhemos em conjunto.(5)

Verificamos, assim, a importância de discutir sobre mídias de resistência numa perspectiva não só acadêmica do ponto de vista de sua história, mas também ao nível de uma práxis que deve permitir a aqueles que se embrenham na arte do jornalismo se colocarem do lado da população em nome da democracia, indo de encontro a qualquer ação que possa vir a reduzir as liberdades de viver e de se expressar.

Estudar e dar visibilidade a um dos jornais que se encontravam dentro desta perspectiva e definição de mídia alternativa, e de combate a atual situação do mundo, é fazer relembrar justamente a trajetória deste sentimento de resistência que se sobrepõe ao medo de lutar contra o autoritarismo e contra o conformismo.

Numa sociedade onde o poder continua nas mãos de poucos e que é usado para manipular a vida de todo um país, é imprescindível que haja uma ‘re’-ação a este monopólio de autoridade por meio da palavra escrita, da imprensa alternativa que defenda igualdade social, de forma a incentivar uma luta pelo direito de cada indivíduo fazer o que quiser, na hora que achar conveniente, apenas respeitando os seus limites e o direito que o outro também tem dentro daquele espaço que é comum a todos que ali convivem, o que efetivamente estará efetivando a autodisciplina e o respeito pelos seus semelhantes.

Portanto, num momento como esse, em que nós vivenciamos uma traumática derrocada das utopias, não há nada melhor do que rebuscar na História um pouco de antagonismo. E particularmente quando utilizamos alguma parte dela em que homens e mulheres se unem, para com uma pitada de humor, e outras de ironia e coragem, tentarem destronar o Rei.


(1) SANTOS, Patrícia Diniz. Mídia digital: dos princípios da liberdade à democracia ilusória. Disponível em http://www.uff.br/mestcii/diniz.htm, acessado em 15 de Abril de 2007.

(2) JAMES, Daniel. O que há de novo? O que há de velho? Os parâmetros emergentes da história do trabalho latino-americana. IN: ARAÚJO, Ângela M.C. Trabalho, Cultura e Cidadania. São Paulo: Scritta, 1997. Pag. 137.

(3) VILELA, G.; FALCÓN, G. Os Baianos que Rugem: A Imprensa Alternativa na Bahia. Salvador: Edufba, 1996. Pag.11.

(4) RAMONET, Ignácio. O Pensamento Único. In MALAGUTI, Manoel (Org.). A Quem Pertence o Amanhã: Ensaios sobre o Neoliberalismo. São Paulo: Edições Loyola, 1997. Pag.23.

(5) RAMONET, Ignácio. Entrevista a João Alexandre Peschanski. Disponível em http://www.piratininga.org.br/artigos/2005/61/ramonet-bdf.html, acessado em 12 de Abril de 2007.

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Movimento Libertário de Pau da Lima (I)

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Em 1994 nascia o Movimento Libertário de Pau da Lima. Seus militantes são gente simples, estudantes ou trabalhadores, de um bairro periférico de Salvador.

Em setembro daquele ano já lançavam suas palavras para a população do bairro através do boletim Mancha Negra.

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Movimento Anarco Punk (II)

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Informação Alternativa_02_1996

O segundo boletim Informação Alternativa do MAP continua sua propaganda sobre o anarquismo, além das críticas contra o sistema capitalista.

Além disso traz um ótimo texto com pequeno histórico do anarquismo em Salvador desde O Inimigo do Rei até a criação do MAP.

Segue texto encontrado no verso daquele boletim, fazendo pequeno resumo da história do Movimento Punk em Salvador até 1996.

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Mais Seis Anos de Organização e Luta

Com o final do jornal “Inimigo do Rei” e o fechamento do CDPA (Centro de Documentação e Pesquisa Anarquista) em 1989 o anarquismo em Salvador ficou órfão de grupos que levantassem sua bandeira de forma militante e revolucionária. Mas, ao mesmo tempo sentia-se no ar um clima favorável à criação de novos grupos. Em 1989 surgiu a FARPA, que seria o pioneiro dos vários grupos de bairro que apareceriam depois. Porém o estopim de tudo que aconteceu foi a passeata “Caminhada pela Liberdade” em 06.01.1990, onde participaram cerca de 40 pessoas de vários bairros de Salvador, e dela resolveu-se criar o Movimento Punk Libertário, que fez sua primeira reunião semanal em 14.06.1990, dando início a uma história de luta, vontade, altos e baixos.

Naquela época tudo ao nosso redor fazia lembrar dos lugares de onde viemos, do nosso dia a dia estimulante para nos agarrarmos a luta com unhas e dentes, olhando um nos olhos do outro com a certeza do que queríamos e consciência do papel importante que tínhamos a cumprir.

Sem lengalenga, partimos para a ação direta com manifestações, panfletagem, concentrações, Campanhas, palestra (em faculdades, escolas, associações de moradores), seminários, debates, boletins e acampamentos, tudo tão intenso que tornou-se comum a presença Punk nas ruas de Salvador.

Todos esses trabalhos começaram a dar resultado de 1992 para 1993, com a multiplicação dos grupos para FARPA, MOV.PUNK LIBERTÁRIO, EXPLORADOS, ANARQUIA JÁ, MOV.PUNK DE BROTAS, MARS (Mov.Anti-Resistência da Sociedade), FAZENDA GRANDE COMUNIDADE LIBERTÁRIA, MOVIMENTO RAUL SEIXISTA, MOV.LIBERTÁRIO DE PAU DA LIMA, MOV.PUNK DE SÃO CRISTOVÃO, COMUNIDADE LIBERTÁRIA 11 DE NOVEMBRO, MOV.ANARCO-ESTUDANTIL.

Quase todos estes grupos uniram-se na FAMES (Federação Anarquista Metropolitana de Salvador) que deu ao movimento uma nova dinâmica, poque conseguiu unificar vários grupos e conduzir a luta com maior participação.

A essa altura o Movimento Punk Libertário se encontrava com cerca de duzentos militantes e uma frequência de 80 pessoas por reunião, resultando na tradicional passeata de 7 de setembro de 1991. Quando quase conseguimos estragar a festa de “Independência do Brasil”.

Esse crescimento extraordinário nos pegou de surpresa e completamente despreparados para organizar um movimento tão numeroso. Então os problemas começaram a surgir porque éramos muito ingênuos e inexperientes com luta social para compreender que os maiores inimigos estavam perto de nós, em nosso meio, em nossas entranhas, no ego, na intolerância, no fascismo, na brutalidade, na falta de iniciativa, na nossa incapacidade de cortar o cordão umbilical e a gangrena contaminada pelo germe.

Em 1994 a maioria dos grupos já tinham acabado, mas o Movimento Punk Libertário continuou firme, porém com o número de militantes reduzido. Para afirmar nossos princípios mudamos o nome para o MAP (Movimento Anarco Punk) e elaboramos um boletim de orientação, que provocou uma divisão e a criação do CARP (Coletivo de Ação e Resistência Punk). Em 1994 também foi criado o primeiro grupo Anarco-feminista, o ALMA (Associação Livre de Mulheres Anarquistas). Com pouca duração, mas que marcou o fim da passividade feminina no Movimento. Outro grupo anarco-feminista foi o CIA (Coletivo Inimigas da Autoridade), criado em 1996. Atualmente estão ativos em Salvador o Movimento Anarco Punk, o Mov. Libertário de Pau da Lima, a Associação em Prol do Pensamento Libertário e o Coletivo Subverta.

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Movimento Anarco Punk (I)

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Os anarco punk começam a aparecer no Brasil no final dos anos 80.

Em Salvador vão tomar força no começo dos anos 1990.

Em 1996 eles criam o MAP (Movimento Anarco Punk) para se distinguir do restante do movimento punk, devido a muitos debates sobre que ações poderiam tomar separadamente.

Segue o primeiro boletim do MAP, Informação Alternativa.

Informação Alternativa_01_Jun-1996

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