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Núcleo Pró COB-AIT (4)

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O boletim Ação Direta foi criado em 1989 com a intenção de representar as ideias dos membros do Núcleo Pró COB/AIT em Salvador. O nome escolhido em homenagem, primeiro ao grande princípio anarquista da Ação Direta, dos que lutam contra a democracia parlamentar como único modo de participação popular na política do país. Segundo, em homenagem ao jornal anarquista que frequentava as mesas dos libertários que viveram no Brasil nas décadas de 40 e 50.

Boa parte de suas edições abordava temas relacionados à categoria petroleira. Como no caso da edição acima de Março de 1991, quando aquela categoria fez uma greve de 24 dias. Leia um trecho do boletim.

Em mais de 20 dias de greve, o trabalhador da Petrobrás tem mostrado que o trabalhador enquanto classe possui força suficiente para transformar a sociedade. Isto, inclusive, vem sendo admitido pelo próprio capitalismo, através de seus meios de comunicação. No primeiro momento o trabalhador decide entrar em greve por motivos unicamente economicistas e não pensando que pode mudar a sociedade, econômica  politica, ou culturalmente. Mas neste ponto da greve o trabalhador começa a ter a possibilidade de descobrir que o resultado de sua união, de sua participação coesa na luta direta contra os vícios do capital nada mais são que fontes de resistência e desgaste ao sistema capitalista.

O Núcleo Pró COB/AIT de Salvador finaliza suas ações em 1992.

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Núcleo Pró COB-AIT (3)

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O pequeno boletim Ação Direta foi criado pelos anarquistas soteropolitanos que participavam do Núcleo Pró COB-AIT em 1989.

Ali eles expunham suas ideias e as lançavam preferencialmente nas Assembleias de trabalhadores petroleiros, ou em reuniões de comerciários. Categorias onde orbitavam com suas ideias. Seja falando da falta de seriedade das eleições para Presidente, governador ou Prefeito, seja demonstrando o quanto os sindicatos ainda estavam com suas estruturas arraigadas a uma ideia fascista, decorrente de suas regras de existência se basearem na Carta Del Lavoro.

Todas essas críticas, obviamente, não eram bem vindas pela esquerda que naquele momento já havia visto a notícia da Queda do Muro de Berlim, mas mesmo assim ainda continuava a acreditar nas possibilidades de um Comunismo Marxista. E foi esta crença que fez um dos marxistas que ainda rondavam o STIEP (Sindicato dos Trabalhadores na Indústria de Exploração de Petróleo) incitar a um grupo que se encontrava em Assembléia a agir com violência contra os anarquistas “reacionários” que ali se encontravam distribuindo um dos boletins Ação Direta abordando as prisões políticas em Cuba, de opositores a ditadura de Fidel Castro. Os anarquistas só não foram agredidos pela moderação de outros membros do sindicato, que contornaram a situação.  Mas tiveram que se retirar do local sob o olhar raivoso de meia dúzia de militantes marxistas.

Segue texto transcrito do jornal digitalizado acima como exemplo das ideias discutidas em momento anterior a uma Greve puxada pela CUT (Central Única dos Trabalhadores) em junho de 1990, no governo de Fernando Collor, que logo nos primeiros meses já demonstrava como arrocharia os salários dos trabalhadores.

Mas a greve só serve para pedir aumento de grana e estabilidade de emprego ?

Nós, anarquistas, acreditamos que não !

A greve ajuda a descobrir de que lado estão as pessoas. A greve é instrutiva para o trabalhador, pois com ela o mesmo vai descobrindo que sem sua presença, seja na fábrica, na escola, no hospital, etc, não há funcionamento, não há produção. Descobre, consequentemente que alguém ou alguma classe está iludindo a ele, todos os dias do ano, através dos meios de comunicação, das igrejas, das escolas, da “politica eleitoral”, incentivando a sua resignação em favor de um corpo maior (propriedade de uma minoria) que é o país. Iludem o trabalhador sobre sua força de mudança. Mas a mudança em prol desta maioria só pode ser conseguida por ela própria, havendo solidariedade entre os companheiros de trabalho, os amigos no bairro, etc.

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Núcleo Pró COB-AIT (2)

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As ações e propaganda dos anarquistas que construíam o movimento Pró COB-AIT frequentemente entravam em choque com as atividades dos partidos e organizações de esquerda, como PT, CUT, etc. Não é novidade que anarquistas e marxistas não nutrem qualquer amor entre eles. Desde as reuniões da Associação Internacional dos Trabalhadores em finais do Séc.XIX, Marx e Bakunin digladiavam-se em nome de suas ideias. Após a Revolução Russa, tanto Lenin, quanto Trotsky, ordenavam, sem qualquer arrependimento, o fuzilamento de anarquistas.

Na imagem acima, a direita (ou melhor dizendo, um dos órgãos de imprensa pertencentes a elite baiana) se aproveita desta disputa “secular” para tentar desmantelar uma greve geral que aconteceria dias depois daquele editorial. E para isso usa o discurso de um dos militantes anarquistas em Salvador, dado em entrevista.

Denunciando como fascistas instrumentos como os piquetes que param o trabalho pela violência e não através da adesão consciente e voluntária dos empregados, a COB diz de que forma e em nome de que pretende atuar no movimento sindical. Para ela, os motivos para qualquer protesto devem relacionar-se diretamente ao local de trabalho, dizendo respeito a vida dos empregados e não com as pautas oriundas de Brasília. Em razão disto, pouca diferença faz haver eleição direta ou indireta no País, um formalismo que nunca alterou profundamente a situação do trabalhador, penalizado, isto sim, pela queda constante de seu poder aquisitivo. O entendimento do dirigente sindical da COB traduz o que seria uma pauta voltada para os interesses imediatos dos trabalhadores, em seu setor de trabalho.

Não é difícil se perceber do trecho retirado do Editorial do jornal A TARDE de 4 de Agosto de 1987, como a Grande Imprensa, usa e abusa de interpretações das entrevistas que fazem, em nome de uma “Imprensa Imparcial”. Afirmar que uma organização anarquista (e os núcleos Pró COB-AIT eram anarquistas, em sua gênese) teria suas pautas voltadas para os interesses imediatos de alguma categoria de seres humanos ou é inocência e ignorância ao extremo, ou, pelo contrário, é uma absoluta falta de caráter, usando de subterfúgios políticos para neutralizar ambos os personagens à sua esquerda.

Sábado trarei mais histórias sobre os núcleos Pró COB-AIT.

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Núcleo Pró COB-AIT (1)

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Os Núcleos Pró COB-AIT começam a pipocar pelo Brasil em 1987. Em determinado momento entre 1988 e 1992 havia grupos na Bahia, São Paulo, Rio Grande do Sul, Sergipe, Alagoas, Paraíba, Pará, Brasília, Rio de Janeiro e Paraná. O Congresso em Salvador foi importante como trampolim para ações no Nordeste, além de criar os princípios e diretrizes que norteariam o crescimento dos grupos, e mesmo a semente de algumas crises que redundariam no fim dos Núcleos no início dos anos 90.

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Campanha do Voto Nulo em 1988 (4)

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Nesta última postagem sobre a Campanha do Voto Nulo em 1988 trago fotos de uma das pichações feitas pelos anarquistas naquele ano.

A pichação, autorizada pelo proprietário da casa, foi feita na Rua Melo Morais Filho, no bairro da Fazenda Grande do Retiro, em Salvador.

A “arte” foi pensada em conjunto e “desenhada” pelo artista plástico Carlos Rodrigues. Mas todo grupo participou do trabalho de “pintura”.

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Outra atividade constante dos anarquistas baianos na década de 80 foi a panfletagem. Para a eleição de 1988 o pessoal do Núcleo Pró-COB de Salvador preparou um pequeno mosquitinho para propagandear a ideia do Voto Nulo, ao mesmo tempo que promoviam o nome da Confederação Operária Brasileira que os anarquistas brasileiros desejavam resgatar, das lutas do começo do Século XX.

Sábado que vem estou de volta. Até lá.

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