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Campanha do Voto Nulo em 1988 (4)

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Nesta última postagem sobre a Campanha do Voto Nulo em 1988 trago fotos de uma das pichações feitas pelos anarquistas naquele ano.

A pichação, autorizada pelo proprietário da casa, foi feita na Rua Melo Morais Filho, no bairro da Fazenda Grande do Retiro, em Salvador.

A “arte” foi pensada em conjunto e “desenhada” pelo artista plástico Carlos Rodrigues. Mas todo grupo participou do trabalho de “pintura”.

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Outra atividade constante dos anarquistas baianos na década de 80 foi a panfletagem. Para a eleição de 1988 o pessoal do Núcleo Pró-COB de Salvador preparou um pequeno mosquitinho para propagandear a ideia do Voto Nulo, ao mesmo tempo que promoviam o nome da Confederação Operária Brasileira que os anarquistas brasileiros desejavam resgatar, das lutas do começo do Século XX.

Sábado que vem estou de volta. Até lá.

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Arquivado em Ações, Década 1980

Campanha do Voto Nulo em 1988 (2)

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A burguesia quando se sente ameaçada por alguma ação tomada pela sociedade, que não tenha sido pensada por ela, usa seus meios de comunicação para neutralizar aquelas ações.

É óbvio que para acreditarmos nessa ideia temos que crer na existência de algumas categorias: burguesia, luta de classes, etc.

Em 1988 grande parte da grande mídia, de propriedade de famílias burguesas, encontrava-se apoiando a redemocratização do país. Não nos esqueçamos que nos primeiros anos da década de 1980 muita gente ia para as ruas mostrar seu descontentamento em redor de todo o Brasil. Seja em greves contra o arrocho salarial, seja em manifestações contra a carestia, ou mobilizações contra a Ditadura Militar, dentre outros motivos. Muitas dessas mobilizações terminaram em violência, como o quebra-quebra dos ônibus de Salvador em Agosto de 1981, por exemplo.

O retorno às eleições diretas para Governadores em 1982, e a tentativa de eleição direta para Presidente entre 1983 e 1984 caíram como uma luva para as elites, que precisavam colocar a população no caminho da “paz”.

Seria preciso um instrumento duradouro para por fim, ou acalmar, as mobilizações com claro viés radical. A revista IstoÉ, em seu editorial na edição de 30 de novembro de 1983, parecia prever qual seria:

O título eleitoral, transformado em fetiche, assumiu para o brasileiro o valor emblemático, mobilizador, de um direito elementar de que lhe foi despojado. Algo indiscutível em torno do que as pessoas podem se unir, acima de suas eventuais diferenças políticas, pois ninguém em boa-fé duvida que somente a renovação pelo voto direto poderá salvar o país…

Quando anarquistas de Salvador decidem se reunir com um grupo de classe média insatisfeito com a generalização da corrupção na política baiana, políticos se unem aos órgãos midiáticos da cidade para contra-atacar.

Em 17 de Outubro de 1988, mesmo dia que Manoel Castro criticava o Voto Nulo no jornal A TARDE, sai na Coluna Política, no mesmo jornal, o seguinte:

O alto índice de indecisos ainda anotado junto à população de Salvador tem estimulado os grupos que trabalham pelo voto nulo – os tradicionais (se é que podem assim ser chamados) anarquistas e um movimento novo, de definição bastante nebulosa – pregando a omissão da sociedade no instante em que esta participação é da maior importância para a consolidação do regime democrático. É preciso salientar que esses grupos têm trabalhado num terreno dos mais férteis, devido a descrença que grassa junto à população, não apenas em relação aos políticos, mas sim, quanto ao comportamento dos homens públicos de modo geral. No entanto, a pregação pela omissão é das mais perigosas porque conduz diretamente a um beco sem saída e só interessa aos que defendem a teoria do “quanto pior, melhor”.

Sábado postaremos mais informações sobre a Campanha do Voto Nulo de 1988. Incluindo matérias de jornais que circularam em Salvador trazendo a opinião dos anarquistas sobre aquela Campanha.

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Arquivado em Ações, Década 1980

Campanha do Voto Nulo em 1988 (1)

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“Alguns indicadores da indiferença estão nas ruas. Em eleições passadas, é verdade, o voto branco e o voto nulo por erro do eleitor já tomavam proporções preocupantes. A despeito disso, o órgão superior da Justiça Eleitoral nunca somou os totais nacionais a ponto de permitir um estudo, por parte dos especialistas, do volume de votos nulos. O indicador novo é que o apelo ao voto nulo não parte hoje só de minorias anarquistas. Outros segmentos estao no mesmo caminho”.

Logo acima está trecho do Editorial do jornal A TARDE de 14 de Outubro de 1988, há poucas semanas da Eleição para a prefeitura de Salvador naquele ano.

Os principais candidatos naquela eleição foram: Fernando José (PMDB), Virgildásio de Senna (PSDB), Manoel Castro (PFL) e Zezéu Ribeiro (PT).

No editorial pode ser medida a preocupação dos órgãos de notícias que representavam as elites baianas com a possibilidade dos Votos Nulos alcançarem um grande percentual. E, até com um certo respeito, eles citam os anarquistas entre os grupos que, classicamente, defendem o Voto Nulo.

Os anarquistas, no ano de 1988, distribuídos entre grupos de trabalhadores (no núcleo Pró-COB), ou no Centro de Documentação e Pesquisa Anarquista-CDPA, dentre outros, resolveram atacar de vez a Democracia Representativa lançando uma Campanha pelo Voto Nulo.

Por coincidência, alguns grupos de classe média também resolveram se mobilizar em defesa da anulação do voto.

Obviamente os dois grupos não tinham os mesmos objetivos gerais. Mas conseguiram, pelo menos uma vez, no intervalo entre Outubro e a data da eleição, unir forças numa Carreata.

Nas próximas postagens vou trazer mais material sobre essa Campanha.

Um abraço, e até a Terça-Feira que vem.

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Arquivado em Ações, Década 1980