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Revista Barbárie (III)

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Segue hoje uma entrevista feita em 2007 com Hilda Maria Braga.

Hilda participou do início da construção do Jornal O Inimigo do Rei, em 1977, e também da Revista Barbárie, em 1979.

Assistam e comentem se possível.

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Núcleo Pró COB-AIT (2)

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As ações e propaganda dos anarquistas que construíam o movimento Pró COB-AIT frequentemente entravam em choque com as atividades dos partidos e organizações de esquerda, como PT, CUT, etc. Não é novidade que anarquistas e marxistas não nutrem qualquer amor entre eles. Desde as reuniões da Associação Internacional dos Trabalhadores em finais do Séc.XIX, Marx e Bakunin digladiavam-se em nome de suas ideias. Após a Revolução Russa, tanto Lenin, quanto Trotsky, ordenavam, sem qualquer arrependimento, o fuzilamento de anarquistas.

Na imagem acima, a direita (ou melhor dizendo, um dos órgãos de imprensa pertencentes a elite baiana) se aproveita desta disputa “secular” para tentar desmantelar uma greve geral que aconteceria dias depois daquele editorial. E para isso usa o discurso de um dos militantes anarquistas em Salvador, dado em entrevista.

Denunciando como fascistas instrumentos como os piquetes que param o trabalho pela violência e não através da adesão consciente e voluntária dos empregados, a COB diz de que forma e em nome de que pretende atuar no movimento sindical. Para ela, os motivos para qualquer protesto devem relacionar-se diretamente ao local de trabalho, dizendo respeito a vida dos empregados e não com as pautas oriundas de Brasília. Em razão disto, pouca diferença faz haver eleição direta ou indireta no País, um formalismo que nunca alterou profundamente a situação do trabalhador, penalizado, isto sim, pela queda constante de seu poder aquisitivo. O entendimento do dirigente sindical da COB traduz o que seria uma pauta voltada para os interesses imediatos dos trabalhadores, em seu setor de trabalho.

Não é difícil se perceber do trecho retirado do Editorial do jornal A TARDE de 4 de Agosto de 1987, como a Grande Imprensa, usa e abusa de interpretações das entrevistas que fazem, em nome de uma “Imprensa Imparcial”. Afirmar que uma organização anarquista (e os núcleos Pró COB-AIT eram anarquistas, em sua gênese) teria suas pautas voltadas para os interesses imediatos de alguma categoria de seres humanos ou é inocência e ignorância ao extremo, ou, pelo contrário, é uma absoluta falta de caráter, usando de subterfúgios políticos para neutralizar ambos os personagens à sua esquerda.

Sábado trarei mais histórias sobre os núcleos Pró COB-AIT.

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O Inimigo do Rei (2)

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A imagem acima, retirada do Nº03 do jornal O Inimigo do Rei, de outubro de 1978, lembrava os 10 anos da Primavera de Praga.

Através de uma matéria e da imagem os anarquistas do jornal se posicionavam a respeito do que consideravam um dos males do marxismo: a pretensa Ditadura do Proletariado.

Vamos ao texto. Nele poderemos entender o que foi a Primavera de Praga e muito da crítica anarquista aos marxistas:

Na primavera de 1968 os tchecos experimentam o fim da censura à imprensa, o direito de viagens ao exterior, a livre discussão dos, até então, dogmas partidários.

Os operários discutiam nas fábricas o problema da autogestão das fábricas e em julho de 68 já se contavam 800 mil operários que participavam ativamente do controle dos seus locais de trabalho.

Mas a onda de liberdade começaria a incomodar a União Soviética porque os tchecos demonstravam interesse em transformar radicalmente sua sociedade, dinamizá-la e diminuir o papel centralizador do Partido. Além do mais, no campo econômico os tchecos estavam firmemente decididos a deixar de fazerem o papel de fornecedores de capitais para outros países da órbita soviética, e dividirem entre si mesmos os sucessos do seu desenvolvimento. É o que a União Soviética não aceitaria: controle operário da sociedade; socialismo com liberdade; fuga de sua tutela político-econômica.

Na noite de 20 de agosto de 1968 as tropas russas, secundadas pelas da Alemanha Oriental, Polônia, Hungria e Bulgária (a Romênia, apesar de membro do pacto de Varsóvia, se recusou a enviar tropas), iniciavam a ocupação do País, concretizada no dia 21. Nas medidas de “normalização” da vida tcheca, nos meses que se seguiram à Invasão, se notou um dos principais alvos da fúria do urso soviético: os conselhos operários eleitos durante a primavera foram, um a um, desmobilizados.

A União Soviética não admite que a classe operária assuma diretamente o Governo de nenhum país, isto frustraria o seu esquema ideológico de “estágio de ditadura do proletariado”. Os trabalhadores russos ainda “precisam” de seus guias salvadores, dos seus revolucionários profissionais, ou seja, de uma burocracia que se entulha de privilégios à custa do proletariado.

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