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Associação em Prol do Pensamento Libertário – APPL (4)

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No final dos anos noventa o grupo da APPL publicava o boletim O Libertário. Os temas do boletim eram decididos em reuniões que aconteciam bimestral ou mensalmente. Em Março de 1997 o assunto escolhido foi Feminismo e Anarquismo, e um belo texto da espanhola Josefa Martin Luengo, uma das participantes mais ativas da Escola Paideia, em Merida. Mas havia um texto no boletim que dizia respeito a um tema que era (e ainda é) de grande repercussão no movimento anarquista: Uma Federação Anarquista Brasileira. Chegavam notícias de São Paulo, Rio Grande do Sul e outros estados, onde anarquistas se organizavam no intuito de construir aquela federação. Segue o texto de um dos “militantes” da APPL sobre a recepção dessa ideia em Salvador:

Alvissareira Notícia

… Esta que chega do sul do país, com o objetivo de organizar os grupos anarquistas existentes em território brasileiro: UMA ENTIDADE FEDERATIVA. Eis uma lacuna que o movimento não deve se furtar em preencher, pois faz-se necessário em função de uma melhor intervenção no tecido social no qual, mesmo que a contra gosto, estamos inseridos. E também porque, necessitamos de urna maior divulgação dos ideais ácratas nessa sociedade estratificada, demagógica, reacionária e hipócrita e que em tese devemos combater, tanto na prática corno teoricamente.

Por acreditarmos que em sã consciência, não se pode negar a importância de urna FEDERAÇÃO, seja ela a nível local, estadual, nacional, continental ou planetário, é que tentaremos colaborar com algumas observações que julgamos pertinentes ante este processo de constituição que ora se inicia.

Para sua consecução, colocamos como primordial um estreito intercâmbio entre os grupos verdadeiramente constituídos. Isso no sentido de conhecermos os nossos futuros consortes, melhor explicitando, as suas propostas organizacionais, as concepções que norteiam a sua política interna e externa, e os métodos de ação para inserção na sociedade. Já que as informações sobre os grupos são por demais escassas, esporádicas e superficiais, o que acarreta o traçado de um perfil impreciso sobre a magnitude, composição e a estrutura de cada um dos prováveis federados.

Feito esse primeiro contato com os diversos grupos, teremos condições de discutir propostas concernentes à organização de uma entidade nacional, isso numa rede fechada entre os grupos previamente contatados. Nessa rede poderemos conhecer as diversas opiniões e propostas que irão contribuir para a organização do primeiro encontro de preparação de uma estrutura federativa nacional e que pode nortear o nosso congresso de constituição.

Nesse momento, conclamamos todos os grupos a arregaçar as mangas e centrar esforços na viabilização dessa alvissareira proposta: uma FEDERAÇÃO ANARQUISTA BRASILEIRA.

O BRUXO

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Arquivado em Década 1990, Jornalismo, Organizações