Arquivo da tag: Proudhon

A Grande Revolução, de Kropotkin

____________________________

Em entrevista feita pelo poeta Valter Bitencourt com o anarquista e ecologista Antonio Mendes o segundo fala sobre os motivos que o fizeram enveredar pelos caminhos do anarquismo.

Então, Antonio deixa claro que foi a leitura de alguns livros. Dois desses livros são, Filosofia da Miséria, de P.J.Proudhon, e A Grande Revolução, de Pietr Kropotkin, ambos clássicos da literatura libertária.

Então é isso. Deve existir alguma fábula que nos incite a acreditar nas possibilidades vindouras das coisas que escrevemos. Do que escrevemos com o intuito de mudar o mundo. E mesmo que não mude o mundo, possibilita a mudança de alguma alma vagante da humanidade. Alguém que continue o trabalho anterior e possibilite aquele conhecimento a novos espíritos vagantes.

A digitalização no topo é justamente da edição de um dos livros lidos por Antonio Mendes. O livro lido por ele, quando morava ainda em Quixeramobim, no Ceará, foi publicado pela Livraria Progresso Editora, de Salvador, Bahia, em 1955.

Veja a seguir um dos trechos, escrito em 1909, por Kropotkin, que deve ter influenciado o jovem Antonio em direção aos caminhos libertários:

Um levante social, todavia, não é ainda uma revolução, mesmo quando assume proporções tão terríveis como a da sublevação dos camponeses russos em 1773, sob a bandeira de Pugatchov. Uma revolução é infinitamente mais do que uma série de insurreições nos campos e nas cidades. É mais que uma simples luta de partidos, por muito sangrenta que esta seja, mais que um combate nas ruas, e muito mais que uma simples mudança de governo, como a França realizou em 1830 e 1848. Uma revolução é o derrubamento rápido, em poucos anos, de instituições que levaram séculos a enraizar-se e que pareciam tão estáveis, tão imutáveis, que os mais ardentes reformadores mal ousavam atacá-las nos seus escritos. É a queda, o despedaçamento, num reduzido número de anos, de tudo quanto constituía, até então, a essência da vida social, religiosa, política e econômica de uma nação, o derrubamento das ideias e das noções correntes sobre as complicadíssimas relações entre todas as unidades do rebanho humano. É, finalmente, o desabrochar de novas concepções igualitárias quanto ao comércio entre cidadãos — concepções que breve se tornam realidades e começam, daí por diante, a irradiar-se pelas nações vizinhas, convulsionando o mundo e dando ao século seguinte a sua senha, os seus problemas, a sua ciência, as linhas gerais de desenvolvimento econômico, político e moral.

Anúncios

1 comentário

Arquivado em Década 1950