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Núcleo Pró COB-AIT (3)

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O pequeno boletim Ação Direta foi criado pelos anarquistas soteropolitanos que participavam do Núcleo Pró COB-AIT em 1989.

Ali eles expunham suas ideias e as lançavam preferencialmente nas Assembleias de trabalhadores petroleiros, ou em reuniões de comerciários. Categorias onde orbitavam com suas ideias. Seja falando da falta de seriedade das eleições para Presidente, governador ou Prefeito, seja demonstrando o quanto os sindicatos ainda estavam com suas estruturas arraigadas a uma ideia fascista, decorrente de suas regras de existência se basearem na Carta Del Lavoro.

Todas essas críticas, obviamente, não eram bem vindas pela esquerda que naquele momento já havia visto a notícia da Queda do Muro de Berlim, mas mesmo assim ainda continuava a acreditar nas possibilidades de um Comunismo Marxista. E foi esta crença que fez um dos marxistas que ainda rondavam o STIEP (Sindicato dos Trabalhadores na Indústria de Exploração de Petróleo) incitar a um grupo que se encontrava em Assembléia a agir com violência contra os anarquistas “reacionários” que ali se encontravam distribuindo um dos boletins Ação Direta abordando as prisões políticas em Cuba, de opositores a ditadura de Fidel Castro. Os anarquistas só não foram agredidos pela moderação de outros membros do sindicato, que contornaram a situação.  Mas tiveram que se retirar do local sob o olhar raivoso de meia dúzia de militantes marxistas.

Segue texto transcrito do jornal digitalizado acima como exemplo das ideias discutidas em momento anterior a uma Greve puxada pela CUT (Central Única dos Trabalhadores) em junho de 1990, no governo de Fernando Collor, que logo nos primeiros meses já demonstrava como arrocharia os salários dos trabalhadores.

Mas a greve só serve para pedir aumento de grana e estabilidade de emprego ?

Nós, anarquistas, acreditamos que não !

A greve ajuda a descobrir de que lado estão as pessoas. A greve é instrutiva para o trabalhador, pois com ela o mesmo vai descobrindo que sem sua presença, seja na fábrica, na escola, no hospital, etc, não há funcionamento, não há produção. Descobre, consequentemente que alguém ou alguma classe está iludindo a ele, todos os dias do ano, através dos meios de comunicação, das igrejas, das escolas, da “politica eleitoral”, incentivando a sua resignação em favor de um corpo maior (propriedade de uma minoria) que é o país. Iludem o trabalhador sobre sua força de mudança. Mas a mudança em prol desta maioria só pode ser conseguida por ela própria, havendo solidariedade entre os companheiros de trabalho, os amigos no bairro, etc.

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