Revista Barbárie (II)

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Já é carnaval e o “povo” está nas ruas… quem sabe desta vez aprende na boa que a praça é dele e o céu do Condor.

Prá quem tá em casa descansando da noite de festa, ou tá mesmo de bobeira, pois odeia a festa da carne, nada melhor do que se deliciar com o primeiro texto, de Apresentação, da primeira edição da Revista Barbárie, publicada no longínquo ano de 1979 (ano em que Pink Floyd lançava o álbum The Wall – que nada tem a ver com Carnaval), desenhando o que desejavam os 15 jovens que assinaram a primeira página da Revista.

Divirtam-se:

Vivemos numa era de violência institucionalizada; do massacre indiscriminado de grupos, populações inteiras e de indivíduos. O meio é a violência em nome do progresso e da civilização. Desse modo, vemos as populações indígenas sendo sistematicamente ex-pulsas de suas terras, preparadas para ‘emancipação” e integração na sociedade brasileira e transformando-se em mercadorias — objetos do jogo e do julgo do mercado — enfim, sujeitos a todo tipo de exploração, seja privada ou estatal.

Assim sendo, assistimos ao assustador desmatamento da floresta Amazônica para o lucro e interesses particulares com a conivência do Estado, levando a destruição uma das maiores reservas naturais do mundo, pondo em risco o equilíbrio ecológico de toda a América do Sul.

Hoje em dia outro dos graves problemas que atravessamos é o da poluição das águas dos rios, represas e mares que conduzirá a nível internacional no futuro, a uma crise mundial.

O crescimento da “marginalidade” que assombra aos “donos do poder” e o seu combate para exterminá-la na forma as mais desumanas através da polícia e outras instituições autoritárias (presídios, campos de concentração), transformam os indivíduos em “feras” ao invés dos “belos” propósitos do Estado em “reeducá-los”.

A BARBÁRIE, nesse primeiro número, gostaria de tratar o mais profundamente possível a todos esses problemas apresenta-dos, fora outros, ainda não sugeridos aqui. Mas para isso seriam necessários centenas ou milhares de páginas algo difícil, dado as condições financeiras. Sendo assim, assumimos o compromisso de realizarmos essa tarefa, na continuação desse nosso trabalho. Entretanto, não esqueceremos de uma parte cultural, onde a poesia, o desenho, o conto, etc.., terão a mesma importância e o destaque que qualquer outro assunto a ser tratado por nós.

Ao lado disso, gostaríamos de destacar a presença de movimentos de reação a toda essa forma institucionalizada de terrorismo, além de propormos o debate em torno de propostas libertarias alternativas e essa situação.

Em oposição à “barbárie” destruidora do mundo atual, contrapomos outra, libertária e criadora, que nascerá dos escombros dessa primeira. Ao invés do trabalho escravizado e rotineiro, propomos o “direito à preguiça”, o trabalho livre e associativo, autogerido. Ao controle de nossos corpos pelos poderes (pais, educadores, médicos, etc) sugerimos o direito de dispor de nossos corpos e dele retirarmos todos os prazeres. Em oposição à civilização moderna, burocrática e hierarquizada, propomos a “barbárie” criadora e libertária.

Coletivo Barbárie

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1 comentário

Arquivado em Década 1970, Década 1980, Jornalismo, Organizações

Uma resposta para “Revista Barbárie (II)

  1. Paulo Henrique

    Tristemente atual o cenário descrito em 1979 – é claro que houve mudanças no plano da organização das lutas e, pior, a confirmação pela enésima vez dos desvios que o jogo pelo poder institucional via ‘democracia indireta’ sempre acarreta aos ‘gênios sagazes’ da esquerda partidária que na melhor das hipóteses nos avaliavam como ingênuos, inocentes… pequeno-burgueses… com as nossas críticas à participação no jogo eleitoral… De lá para cá… alguns avanços… e mais clareza na crítica… eu creio que ainda se pode achar quinze jovens para iniciar ou prosseguir com um projeto!

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